Muito passa, outros não,
o tempo todo um redemoinho.
Há quem fique e vá,
nada é permanente.
A não ser ele,
apagado ou reluzente,
no fundo do meu quarto.
As escolhas acusam,
cobram, perdoam.
Os caminhos brotam,
ou se esvaem.
Há muito o que fazer,
querer e esperar
e ele fica sempre lá.
Ele quer dizer alguma coisa.
E diz. Lamenta, conforta.
Dá seu carinho constante
sem pedir muito.
Sozinho, atrás da porta.
E nos momentos em que todos decepcionam
e tudo parece tão duro,
ele ressurge, um porto seguro.
Meu rosto, naquele velho espelho quebrado,
está sempre ao meu lado.
Moleque, tentando ser quem não é,
mas é sempre essa imagem
da luta de ontem, do que não vivi,
Ele sorri, meu eu, sempre profundo,
do meu ilusório e secreto mundo.
Pode tudo não ir ou nada ficar,
meu rosto sempre vai me abraçar.
Em tudo, em nada,
nessa hora perdida ou marcada.
O espelho da permanência eterna da estrada.
domingo, 20 de abril de 2014
terça-feira, 11 de junho de 2013
Por aqui ou por ali
Direita, esquerda,
quer com açúcar ou
adoçante?
É atlética ou
autêntica?
Intensa ou
perseverante?
Vamos de drama ou
comédia?
Mais discreta ou com
extravagância?
Quer fazer planos a
longo prazo?
Não prefere seguir
conforme a dança?!
Casar virgem ou ter histórias?
Independente ou
apegada?
Vida social ou
introvertida?
Uma conversa solta ou
programada?
Perdida, sem a mínima
ideia,
atraída entre polos,
sempre discrepantes,
segue cada dia mais
incoerente,
nunca fica, é
itinerante.
Entre as opções para
a tarde,
mais do que tudo, é
preciso escolher
entre ser ela mesmo
ou o que lhe dizem para
ser.
Tão difícil parece
seguir um só caminho,
por que não ser tudo e
se sentir vazio?
Num universo de tantas
possibilidades,
é injusto não ter
várias mocidades.
Enquanto desvia, sem
prumo e certeza,
parece não se saciar
com nada
tendo tudo sobre a
mesa.
E com tantas cobranças,
tantas perguntas,
o caderno fica aberto
em branco
sem uma biografia
profunda.
Tirada da vida, tão
perto dela,
se perde em
pensamentos,
mas não se afoga nela.
Por ali ou por aqui,
pergunta,
sentada naquela mesma
pedra.
Tudo bem, apenas uma
decisão é justa:
se entrega à reflexão
e se apronta.
Pensa que quando está
mais perdida
é justamente quando
mais se encontra.
Exclui tudo, apaga e
fica só com a essência.
Sem perguntas ou
ideias, na permanência.
Às vezes o mais
simples é o mais direito
e a vontade de ser é o
que se é no peito.
A resposta para tudo
isso
é a coragem de olhar o
espelho.
domingo, 9 de junho de 2013
Convite
Um sopro de vida me pegou,
assim mesmo, igual uma brisa
no fim da tarde.
Me sacudiu como que num assalto
e me roubou do marasmo.
Um ventinho meio quente, meio gelado
arrepiou meus sentidos por um minuto
De repente me conectei com o mundo
e percebi como andava parada.
Foi meio moleque, tipo num susto.
Me despertou do sono do trabalhador cansado
e me levou para um outro diálogo.
Fora das portas dos restaurantes,
das janelas do apartamento,
eu comecei a conversar com o vento.
E ele me disse: o, Cristine, por que esta tão distante?
Só essa pergunta já me deixou radiante!
O vento sabe meu nome, o universo me chama,
Por que perco tempo abobalhada na cama?
Bora, Cristine, que esse vento é passageiro:
ou ele te carrega e revoluciona o conformismo,
ou ele te abandona sozinha no bueiro.
Vamo, garota, que pisca o olho e vira velha.
Sem ter mais vento que te empurre ou chame,
apenas a antiga e estática janela.
assim mesmo, igual uma brisa
no fim da tarde.
Me sacudiu como que num assalto
e me roubou do marasmo.
Um ventinho meio quente, meio gelado
arrepiou meus sentidos por um minuto
De repente me conectei com o mundo
e percebi como andava parada.
Foi meio moleque, tipo num susto.
Me despertou do sono do trabalhador cansado
e me levou para um outro diálogo.
Fora das portas dos restaurantes,
das janelas do apartamento,
eu comecei a conversar com o vento.
E ele me disse: o, Cristine, por que esta tão distante?
Só essa pergunta já me deixou radiante!
O vento sabe meu nome, o universo me chama,
Por que perco tempo abobalhada na cama?
Bora, Cristine, que esse vento é passageiro:
ou ele te carrega e revoluciona o conformismo,
ou ele te abandona sozinha no bueiro.
Vamo, garota, que pisca o olho e vira velha.
Sem ter mais vento que te empurre ou chame,
apenas a antiga e estática janela.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Inveja
Comprei um lindo jardim colorido,
mas o dela tinha mais orquídeas.
Roubei o rabo de um gato para viver,
mesmo assim ele tinha mais vidas
Passei 12 dias correndo sobre o mar,
e minhas pernas ainda eram finas.
Tentei desejar ser alguém melhor
mas não fui quem desejei um dia.
Cega, vendada, a inveja chega a galope
Não nota a linda semente que brota
aos pés do cavalo em corrida.
Incrédula, descrente e sempre esbaforida,
não pressente a manhã que nasce,
se concentra na noite perdida.
Com os braços e pernas atados,
tenta a inveja seguir um caminho.
Mas nada é tão doce, tão limpo,
como cobiçar o que é do vizinho.
Afogada em desejos, nem nota os beijos
de tão lindo cavalheiro ao seu lado.
Ambiciosa ao extremo, não sente o alento
do que conquistou com seus passos.
Cruel e infeliz inveja,
enterra os sonhos em menores farelos
enquanto a realidade definha
em momentos cada vez mais belos.
Cobiça maldosa, deixa o dono sempre alheio.
Reduz a nada seus esforços notáveis,
turva e envelhecida a imagem no espelho.
Espero, inveja, com a força da minha estima,
que eu deseje apenas ser cada vez mais minha.
Que o único modelo que me instigue
seja ser eu mesma, até no pior deslize.
Que não me trave, não me amarre, não me estreite,
Só cobiço, inveja, que você me deixe!
sábado, 12 de janeiro de 2013
Garça
Ele olha com jeito de criança
sorri como beija, com ânsia
Me conduz com a mão e carinho,
sei que ele sabe o caminho.
Às vezes me sinto perdida,
seu olhar me acalma a procura.
Porque com ele não preciso de plano,
nem de horário certo, postura.
Ele sabe quem eu sou, me conhece,
e com tudo isso me aquece,
me devora com sua vontade de vida.
Ele é a minha passagem só de ida
para uma estrada de luz e amor.
De tantas coisas duvido,
até de mim, ou principalmente,
mas quando deito no seu peito sinto,
não preciso pensar, basta a gente.
Um companheiro para bater papo,
para dar risadas sem sentido,
para pensar nos planos de domingo.
Meu poeta tipo pássaro,
voa para dentro de mim e me ergue.
Sobe no alto do peito e me mostra
com que força você consegue
me tirar da minha confusão interna
para um turbilhão de emoção sincera,
que só tem uma certeza:
ser sua, nessa e em qualquer primavera.
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
Liberdade
Um calorzinho gostoso de subverter
a ordem, a normalidade,
o como era para ser.
Uma vontade transcendental de transceder
e voar... por cima de tanta liturgia.
Um desejo retumbante de ser búfalo
Ser o que há para desfornecer
e virar um próprio sentido,
sem direção pré-marcada.
Ser uma mistura nada acadêmica de tudo
ou nada
e sentir um ritmo retumbante no pensar
Maurício, isso é mauriçar
Vitória, vitoriar, Carlos, carlotear
A primeira vez que quis assim desfazer
a obrigação de cumprir qualquer norma.
Hoje mesmo, nesse dia de inverno,
desconstruí a ordem de parecer de vidro.
Eu não quero esse cocar, esse cedro,
essa coroa, esse grunido.
Quero apenas o que estiver perto
de como por dentro me visto
Mais que ter, ser ou parecer,
garanto que não preciso perecer.
Basta simplesmente respirar,
com esses meus botões,
que poli recentemente,
basta simplesmente ser gente
para colher a brisa.
Quem sabe sem mais cinza ou mania de graça,
eu possa amar cada milímetro do que se passa,
sem nada ter que ser heroico.
Nesse vazio mundano,
um princípio cabalístico do inconformismo profano,
eu vou ousar, crescer a cada dia.
E a morte que não me sorria!
Ou eu fecho a cara para ela.
Porque aqui ninguém mais é donzela,
tá na hora do povo.
Segura meu sangue latino
que hoje eu faço um mundo novo!
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Poesia amiga
Estava observando o mundo,
quando a poesia, carinhosa, me chamou.
Um pequeno suspiro do sono profundo
do qual minha alma gentilmente despertou.
Em águas calmas, mornas e sedutoras,
meu sorriso havia afundado a poesia.
Essa companheira antiga, eterna, aflita,
que parecia despertar somente na agonia
Pois bem, com que surpresa vejo
hoje, num dia claro, entre as cobertas.
Os versos surgem num afago sorridente,
sem me pedir desabafo ou falsas promessas.
As estrofes escorrem com intimidade,
sabem que têm passe livre nessas veias.
Mas dessa vez me visitam tão sem alarde,
como se já não encontrassem no caminho teias.
Existe um calor-essência que vem de dentro,
ele não é barrado, aniquilado ou revertido.
Uma vontade de poesia desde o nascimento,
que vem de outras eras, poetas e destinos.
Uma força que não pode ser quebrada,
persiste intensa, poderosa e sem juízo.
Cresce no peito mesmo maltratada,
jorra apesar de tudo. Até do sorriso.
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