domingo, 26 de agosto de 2007
Atualizando
Meu amigo, a quem dirijo este rascunho,
não sei qual o teu nome e
nem com que te alegras
Só sei que vives inquieto,
e choras quando estás só
Sei também que apesar da tua dor,
não tens vergonha de rir
de errantes como tu em situação pior
Meu amigo, de muitas conversas e pouca verdade,
eu não sei por que ardes e nem até onde toleras
Mas eu sei que esperas, quando entra a noite,
que uma mão te afague,
que um sim te recupere.
Não sei para quê falo,
para quem dirijo minha palavra vazia.
Mas sei que tu, somente tu, me ouves
E sei que isso alivia a tua agonia.
Pelo menos pensar assim alivia a minha
E te oferecer a minha palavra a torna menos vazia.
segunda-feira, 9 de julho de 2007

Esta foi uma das primeiras poesias que escrevi. Foi há alguns bons aninhos, mas ainda faz algum sentido
Escondo-me nas areias desertas
Meu refúgio sereno da solidão
Foi do medo do dragão do castelo
que me perdi no mar morto da confusão
Chamas
Tramas
Susto
Fuga
Corro de susto, de medo do bicho
Um monstro verde, enorme e comilão
Pra onde fugir, onde me esconder?
Onde fica o coração do dragão?
Prédios que se desmoronam
Guerras que enterram um milhão
Carros, bandidos, fantasmas
Nada é pior que o dragão
Morram três mil de esquerda
Caiam duzentos à minha direita
Fico tranqüila e nem vejo
Mas se me ponho a pensar no dragão
Xiiiiii já quase desmaio de medo
Estranho
Me zango
Não entendo
Me rendo!
Foi do medo desse dragão
Que tanto chorei, nunca o entendi
Não te encontro, ó dragão chefe do mundo
Que se decide realiza, só por existir!
Ai, dragão tão escuro!
Que tanto susto me deu
Ah, se desde o início eu já soubesse
Que esse enorme dragão... sou só eu.
domingo, 24 de junho de 2007

Aqui, neste cubículo espremido de cidade,
Vejo minha criatividade
Reduzida a gotículas de poeira.
Essa enganosa luminosidade,
O encosto torto da cadeira.
Minha vida imprensada em grades,
Meu espetáculo estragando na geladeira.
As horas se arrastando inertes e amorais.
E de notícia do mundo,
Só a escravidão dos jornais.
Um fiasco de sentido passando pelo corpo.
O ar preso, quase um sufoco.
E o cheiro de papel frio, congelado.
O arrastar de cada momento suado
O isolado mundo ativo de cada um.
Uma rígida expressão contida,
Sedenta por um pouco de vulgaridade.
É o anseio diário por alguma novidade.
Moleca executiva, perdida,
Num escritório do centro da cidade.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Curtinha
Passar de um estágio
sentada na ponte
Eu bebo um bocado,
me perco no limite
Sinto o bafo quente da certeza
Ouço as sirenes do medo
longe, perdidas,
indefesas contra o meu movimento.
Tento sem sucesso voltar a ser presa
Minha alma voou
Meu pesar é leveza
Gatilhos engatinham,
fazem graça do tormento
Eu sigo a direção do vento
Eu passo,
enquanto todos repassam
Eu vôo,
por cima de todos que avoam
Eu canto,
e todos mortos nos cantos
Menina velha
Sentada na vida
Eu sei onde há brisa
e fujo desses locais.
Meu tiro é o atirar
e o certo não me acerta.
E viva a reta do torto
e viva o toco da meta!
domingo, 3 de junho de 2007
Revolta

Viva a modernidade!
Viva a moderna, a falta de idade!
Viva a baderna e a mediocridade!
Passa ônibus, passa trem, pára-raio
Corre homem, pula mulher, pára-brisa
Cadê o sol? Roubaram o céu
Cata olho, procura mulher, cata-vento
De onde saiu tanto movimento?
Venho de dentro desse corredor ártico
Que andam chamando de mundo
Mundo deserto, árido, ácido
Beira a loucura, beira a histeria, Beira o Mar
E a quem se atribui poder julgar?
Modernidade... não há julgamento!
Todo mundo reto, enfileirado no tormento
Pecam tudo, pica juízo, pica a mula
Pecador tem verdade que é só sua
E deve pecar.. porque a verdade é técnica
É lapidada, demarcada, lápide verdade
Que se esconde na ciência do número
Onde vai se esconder o futuro?
Se ninguém parece que fica ou passa
Nosso destino virou uma grande farsa
A justiça fica só na Barsa, na garsa, na desgraça
Tampa a mente, tampa a boca, trampolim
Na roda gigante , a gangorra não tem vez!
Continuemos vivendo no talvez
E viva a modernidade! Não tema, não canse, não corra!
Unidos no canto do viva
Viva a modernidade...
Modernidade, morra!
domingo, 27 de maio de 2007
Gota

O fim de um temporal
ou o fruto do orvalho.
Prenúncio de um dia quente
rolando num rosto suado.
O cheiro da comida gostosa
escorrendo da boca aflita.
Início de um drama doméstico
brotando insuspeita no telhado
A Gota, o fim, o que faltava.
O transbordar de uma emoção contida
no olhar doente e cansado
Ou a tremida no canto d´olho
da noiva feliz com o noivado.
O presente maldito do pombo
num dia amaldiçoado
A gota, o fim, o que faltava
O limite de um homem cansado
Uma bolha de proteção contra o medo
na ilusão da criança abandonada
A explosão do orgasmo feminino.
O fim do alívio da bexiga.
O líquido derramando do copo.
O cabelo molhado da moça.
A gota, o fim, o que faltava.
O varal, a torneira, a louça.
O limite, a gota d´água.
domingo, 20 de maio de 2007
Horizonte

Quero me reencontrar com este eu-lírico..
Cada momento da vida
Prossigo por toda sempre dividida
O pior carrasco de mim sou eu mesma
A melhor lembrança que tenho minha
é pensar que não tenho fim
Sentada na praça, eu leio o jornal
De onde pode me atingir o mal?
Tudo de mim comando pelo pensamento
Força maior que rege todas as coisas
Se algo é meu, também é meu o poder de sua cura
Não há insuficiência que para sempre dura
E nem pano que algum dia não enxugue
Não posso proibir que alguém me julgue
Mas o julgamento final eu sempre posso
Porque é meu, só meu, e não nosso
E meus princípios (embora perecíveis) eu sei de cor
Não há barbante que se amarre
Que eu mesma não possa desfazer o nó
Você pode me chamar de prepotente
A crítica é inofensiva, estou contente
Sublime virtude da vida vem de dentro
Não deixo de sucumbir ao sofrimento
Sem mais julgar o que é certo, eu me ajudo
Mas culpar o que sinto já não mais culpo
Não posso permitir que me escape a coragem
Não preciso de falsa camaradagem
Para me levantar, ajoelho no chão
Pode doer, posso me render à confissão
Mas não desisto de seguir viagem
A cabeça está sempre sob o ombro
E algum dia ela ressurge do escombro
E faz raiar o sol na lama do juízo que jazia
E faz nascer a relva esperança aonde tudo morria
O mundo gira apesar de meus conflitos
Em algum momento sempre me reconheço como um amigo
Amor maior eu sinto ainda por mim
Para sempre poder recomeçar
e sentir que em novos inícios não tenho fim