domingo, 9 de junho de 2013

Convite

Um sopro de vida me pegou,
assim mesmo, igual uma brisa
no fim da tarde.
Me sacudiu como que num assalto
e me roubou do marasmo.

Um ventinho meio quente, meio gelado
arrepiou meus sentidos por um minuto
De repente me conectei com o mundo
e percebi como andava parada.

 Foi meio moleque, tipo num susto.
Me despertou do sono do trabalhador cansado
e me levou para um outro diálogo.
Fora das portas dos restaurantes,
das janelas do apartamento,
eu comecei a conversar com o vento.

 E ele me disse: o, Cristine, por que esta tão distante?
Só essa pergunta já me deixou radiante!
O vento sabe meu nome, o universo me chama,
Por que perco tempo abobalhada na cama?

Bora, Cristine, que esse vento é passageiro:
ou ele te carrega e revoluciona o conformismo,
ou ele te abandona sozinha no bueiro.

Vamo, garota, que pisca o olho e vira velha.
Sem ter mais vento que te empurre ou chame,
apenas a antiga e estática janela.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Inveja

Comprei um lindo jardim colorido, mas o dela tinha mais orquídeas. Roubei o rabo de um gato para viver, mesmo assim ele tinha mais vidas Passei 12 dias correndo sobre o mar, e minhas pernas ainda eram finas. Tentei desejar ser alguém melhor mas não fui quem desejei um dia. Cega, vendada, a inveja chega a galope Não nota a linda semente que brota aos pés do cavalo em corrida. Incrédula, descrente e sempre esbaforida, não pressente a manhã que nasce, se concentra na noite perdida. Com os braços e pernas atados, tenta a inveja seguir um caminho. Mas nada é tão doce, tão limpo, como cobiçar o que é do vizinho. Afogada em desejos, nem nota os beijos de tão lindo cavalheiro ao seu lado. Ambiciosa ao extremo, não sente o alento do que conquistou com seus passos. Cruel e infeliz inveja, enterra os sonhos em menores farelos enquanto a realidade definha em momentos cada vez mais belos. Cobiça maldosa, deixa o dono sempre alheio. Reduz a nada seus esforços notáveis, turva e envelhecida a imagem no espelho. Espero, inveja, com a força da minha estima, que eu deseje apenas ser cada vez mais minha. Que o único modelo que me instigue seja ser eu mesma, até no pior deslize. Que não me trave, não me amarre, não me estreite, Só cobiço, inveja, que você me deixe!

sábado, 12 de janeiro de 2013

Garça

Ele olha com jeito de criança
sorri como beija, com ânsia
Me conduz com a mão e carinho,
sei que ele sabe o caminho.

Às vezes me sinto perdida,
seu olhar me acalma a procura.
Porque com ele não preciso de plano,
nem de horário certo, postura.

Ele sabe quem eu sou, me conhece, 
e com tudo isso me aquece,
me devora com sua vontade de vida.
Ele é a minha passagem só de ida
para uma estrada de luz e amor.

De tantas coisas duvido, 
até de mim, ou principalmente,
mas quando deito no seu peito sinto,
não preciso pensar, basta a gente.

Um companheiro para bater papo,
para dar risadas sem sentido, 
para pensar nos planos de domingo.

Meu poeta tipo pássaro, 
voa para dentro de mim e me ergue. 
Sobe no alto do peito e me mostra
com que força você consegue

me tirar da minha confusão interna
para um turbilhão de emoção sincera, 
que só tem uma certeza: 
ser sua, nessa e em qualquer primavera.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Liberdade

Um calorzinho gostoso de subverter
a ordem, a normalidade,
o como era para ser.
Uma vontade transcendental de transceder
e voar... por cima de tanta liturgia.
Um desejo retumbante de ser búfalo
Ser o que há para desfornecer
e virar um próprio sentido, 
sem direção pré-marcada.

Ser uma mistura nada acadêmica de tudo 
ou nada
e sentir um ritmo retumbante no pensar
Maurício, isso é mauriçar
Vitória, vitoriar, Carlos, carlotear

A primeira vez que quis assim desfazer
a obrigação de cumprir qualquer norma.
Hoje mesmo, nesse dia de inverno,
desconstruí a ordem de parecer de vidro.
Eu não quero esse cocar, esse cedro,
essa coroa, esse grunido.
Quero apenas o que estiver perto
de como por dentro me visto

Mais que ter, ser ou parecer,
 garanto que não preciso perecer.
Basta simplesmente respirar,
com esses meus botões,
 que poli recentemente,
basta simplesmente ser gente
para colher a brisa.

Quem sabe sem mais cinza ou mania de graça,
eu possa amar cada milímetro do que se passa, 
sem nada ter que ser heroico.

Nesse vazio mundano, 
um princípio cabalístico do inconformismo profano,
eu vou ousar, crescer a cada dia.
E a morte que não me sorria!
Ou eu fecho a cara para ela. 

Porque aqui ninguém mais é donzela,
tá na hora do povo.
Segura meu sangue latino 
que hoje eu faço um mundo novo!

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Poesia amiga

Estava observando o mundo,
quando a poesia, carinhosa, me chamou.
Um pequeno suspiro do sono profundo
do qual minha alma gentilmente despertou.

Em águas calmas, mornas e sedutoras, 
meu sorriso havia afundado a poesia.
Essa companheira antiga, eterna, aflita,
que parecia despertar somente na agonia

Pois bem, com que surpresa vejo
hoje, num dia claro, entre as cobertas.
Os versos surgem num afago sorridente, 
sem me pedir desabafo ou falsas promessas.

As estrofes escorrem com intimidade,
sabem que têm passe livre nessas veias.
Mas dessa vez me visitam tão sem alarde,
como se já não encontrassem no caminho teias.

Existe um calor-essência que vem de dentro,
ele não é barrado, aniquilado ou revertido.
Uma vontade de poesia desde o nascimento,
que vem de outras eras, poetas e destinos.

Uma força que não pode ser quebrada,
persiste intensa, poderosa e sem juízo.
Cresce no peito mesmo maltratada,
jorra apesar de tudo. Até do sorriso.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Um poema que achei aqui nos meus arquivos e ainda não tinha publicado:

Tudo que eu quero nessa vida severina
é não ter pena de me sentir tão menina.
Que sonhos imagino, sem nenhuma turbulência,
o que assusta não é emoção e sim ausência!

Fico inquieta ao pensar que tudo pode ser imperfeito
e não sei por que oscilação é sinal de defeito.
A melhor mãe, boa esposa e famosa profissional
podem não ser ideais e sim gente, afinal.

Que tipo de cobrança tão maléfica
me faz ver meu passado com desgosto
e meu futuro com insegurança intrépida,
enquanto o presente passa como sopro.

Meu refúgio é o agora,
eu sou quem posso ser
do futuro deixo imperfeito mesmo
ao passado não retroceder.

Aceito o que de bom é em ser menina,
sem me prender a isso como sina.
No torto e incorreto, cheio de coração,
farei a arte poética da minha evolução!

terça-feira, 17 de julho de 2012

Gerações

Quando era novo, meu pai me alertou:
 "Filho, tome cuidado,
 Esse tal de casamento é castigo,
 veja o que fez comigo!
 É melhor ficar de coração fechado
 para não ser assim maltratado".

 Bem, pai, não sei o que você diria
 se tivesse conhecido a Maria...
Agora já estou compromissado,
 e bem longe de me sentir culpado!

 Monogamia não é monotonia se existe sintonia

 No começo, fiquei meio cabreiro.
 Era filho, rotina, dinheiro...
 Mas o jeito que Maria acordando sorria
 me tirava o desejo de negar a agonia.

 O risco de ficar entediado.. que bobeira!
 Isso foi mal contado...
 Todo dia é um carrossel de sentimento,
 seja ele alegria, cansaço ou lamento.
 Sintonia não é monotonia, por isso a monogamia

 Sim, meu pai, eu reconheço,
 a Maria até que tem defeito.
 Mas também, ô velho, quem não teria?
 Isso é argumento da hipocrisia...
 Quando ela vem e me aconchega no peito,
 eu sei que estou vivendo direito.
 E mais tarde, quando me sentir maltratado,
 pelo menos saberei como foi ter amado.

 Noto, magia, minha, sono,
 Monogamia é monotonia, mas existe sintonia
 Tonia, Monica, Tina, Sabrina..
 nenhuma de vocês se compara à Maria!