sexta-feira, 30 de maio de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Falta de inspiração...

Vazio
Vazio. Meu coração está vazio.
Queria escrever um poema,
algo que celebrasse o que sinto,
algo que desabafasse o que sofro.
Mas vazio. Vazio é só o que ouço.
Queria gritar, mas não sei se grito.
Gritar por que, para quem?
Não há motivos. Nas minhas palavras
só o vazio. O vazio de todo sentido.
Queria pensar em algo brilhante,
algo que mudasse o mundo.
Ou ao menos minha face indiferente.
Mas vazio é o que comanda minha mente.
Queria agora, mas não sei se rio.
Rio ou desatino num oceano de sorrisos.
Entretanto o que resta do meu brilho?
Só o vazio. O vazio opaco do sem destino.
Então me cubro e imagino um precipício.
Um lugar onde eu possa jogar esse vazio.
Depois mergulhar minha alma num oceano,
um oceano bem cheio de amanhã.
No amanhã de quem tem todo tempo cheio.
Sem o vazio que não mais cobrirá meu peito.domingo, 2 de março de 2008
Elementos do ar,
do mar ou da terra.
Elementos do arroz e do feijão,
da paz ou da guerra.
Elementos do fogo,
do terror de ter nascido.
Passageiros do tempo.
Inventores de inimigos.
Passageiros da lástima,
da lembrança de ter deixado.
Escravos do passado,
do futuro embaçado.
Estrangeiros no perigo,
no ardor de um novo mistério.
Esculturas distorcidas do que é belo.
Prisioneiros destemidos, e ridículos.
Advogados da razão.
Sem mão, sem jeito pra coisa.
Alegria melancólica
dos que se valem do não ser.
Tristonhos persistentes em não se ver,
enroscados nas mentes uns dos outros.
Pressa, muita pressa, pressa.
Bichanos perdidos.
Doentes dopados.
Alegres pedintes,
com medo do crucificado.
Pressa, muita pressa.
Vontade de ser, e morrer, e ficar, e não ir, e voltar.
Talento na hora de rir.
E sumir, se perder do horror de pensar.
Sedução da beleza da vida,
entoada com a vontade de roubar.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Para não dizerem que nunca posto poesias de amor, aí vai. Em breve, o devaneios vai se tornar livro. Aguardem mais notícias. Beijos!
Adiós Argentina
Adiós Brasil
Estou indo para a Argentina
Vou me afundar em tangos
Vou me perder na boemia
Adiós Brasil
Quero mais que belas praias
Quero alfajor no café do Palerma
Vou ver o Boca, vou sair de cena
Cansei da mesmice
Desta vida pequena
Mas não se engane, companheiro
Vou voar de coração triste
Minha mente amarrada
Com saudades desta vida mesma
Meu sorriso apertado
Da angústia de não estar plena
Espere que já logo volto
Maior, pelo tempo sozinha
E se pensa que fui para ser mais distante
se engana, fui para ser menos minha
Fui para ser livre tranqüila
E voltar com a verdade convicta
de que sou presa por escolha e ousadia
De que sou sua, para sempre,e não da Argentina
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Mar e céu

quinta-feira, 15 de novembro de 2007
regresso
O regresso pra casa, nem sempre querida
Pedaço desarrumado de falsa guarida
Retorno para o quarto sem berço
Retomo a antiga rotina
Mas tem um pedaço que fica
Tem uma brecha, nunca completa
Uma fresta por onde a sede penetra
É uma vontade da não-residência, do não-vestígio
E no coração o desejo de se enlaçar
Mas meu sangue arisco não tem lugar
A sede faceira de deixar de querer
Teima em não se cansar
Quero um gesto cativante, quero me prender num lar
Quero um desmuro, um partido,
Uma rica bandeira
Mas não consigo escolher a legenda
Não sou desta terra, nem deste planeta
Eu sou uma breve estrela, perdida no escuro
Sou vela acesa, desencontrada da procissão
Ando contra os fiéis, crendo em algo sem nome
Sou risco na atmosfera, mas não tenho ar próprio
Sou energia fraca , tomo emprestadas as luzes do mundo
Não sou rasa, mas não tenho convicção de nada
Só sei que ando estranha, meu passo é atrasado
Mais na frente a boiada carrega a hora certa
E eu sigo pro abismo, não ligo
Não fujo porque não tenho rumo
domingo, 4 de novembro de 2007
Andar de hoje...
Foto by Cris. Poesia bem antiga, mas me senti assim hoje.. Beijos para todos que comentam e para os que não comentam tb.. aliás, beijos tb para os que nem visitam o blog e para os visitantes! rsSimples
Vejo um pássaro
Tão passarinho
Penso na vida
Árvore da folha verde
Tão singela verdinha
Tiro meus óculos
Sento na terra
Piso na pedra
Só dureza, nova vida de dureza
Penso nessa pura destreza
Firme, forte, segura
Passa frio, passa chuva, passa fissura
E continua com sua força de apoio
Vejo o trigo de sol amarelo
Tão quentinho
E a moça dos olhos de névoa
Que sobrevoam essa selva
Que virou o mundo dos homens
Seguro com força o chão
Esse fixo que me dá proteção
Mas tão mais leve é flutuar
E voar por essa rua
Sentir cada simples perfume
Do mar, da brisa, da lua
Tão nua, também tão minha
Ah, se eu visse sempre esse mundo
com outros olhos!
Olhos de chama
Sem a areia, que embaça a clareza
de ver no simples
o sentido da maior grandeza
Para ver tudo mais claro
Não pode existir o bizarro
Só se pode aceitar que há
Essa engenhosa máquina
Perfeitamente perfeição
Andar pela rua de verdade
É sentir a trivial realidade
Andar marcando as pegadas
Sem medo de pisar em farpa
Cada poro do corpo expirando sensação
Esse andar foi meu hoje pela rua
Quem me dera fosse o andar diário
Do universo restrito