quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Por que nada é imutável?
Nem estático, impermeável
Vivemos num mundo de ciclos
Mas não sei em qual fico,
nenhum deles me parece estável
Atiro no escuro, me sinto atingida
Persigo o futuro, sou eu a perseguida
Amaldiçoo a finitude dos momentos,
hiptnotisada por este descontento.
É o fim do começo que me maltrata.
Só eu sou atacada
pelas flechas do meu eu arqueiro
Foi em mim que mirei primeiro
e agora choro pela dor da ferida
Sinto-me perdida no labirinto que criei,
inventei os caminhos, mas não sei a saída
Cavei o infinito, e agora me cansei
Propus um jogo e não sei a jogada certa
Apostei numa estratégia e não conheço a meta
Subo e desço, corro e morro, rio e padeço
Quero adquirir, mas não sei o preço
Caro demais para pagar, longe demais para alcançar
Tento segurar, não aguento o peso
Na verdade não sei nem se o conheço
Quais as palavras para o que não sei dizer?
Quais os motivos para o que não sei se quero fazer?
Abro um cofre, não sei o que procuro
e eu continuo tateando no escuro
Peco pelo excesso,
brigo pelo perigo
E na verdade não sei por que clamo
Não sei por que pulso, por que me julgo
Onde fica minha lei?
Me desespero porque não sei
E se eu dia eu souber
talvez não saiba pra que é.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
O Pantanal é agora
O que é o tempo?Conflitos sociais medidos num relógio
Sorrisos convencionados
num aparelho com bateria
Acabou o momento,
passou da hora a alegria
Essa algema viciante no pulso,
que agora vibra cronometrado
Lembrar, controlar, comparecer
Cada sentido rigorosamente marcado
Os jornais denunciam assassinatos,
novas guerras, conflitos, psicoses
As manchetes falam de novas micoses
doenças, pragas, epidemias
Estranho, mas continuo sadia
E vivo, ando pela rua, tudo normal
Tantas vozes de hora marcada adoecem expectativas
criam flagelos sem sonho, falsas desritmias
E às vezes me perco divagando sobre o nada
Minutos perdidos em lamúrias criadas
Medos, preocupações,
nada real...
Tantas horas....
me renderiam uma boa viagem ao Pantanal
domingo, 26 de agosto de 2007
Atualizando
Meu amigo, a quem dirijo este rascunho,
não sei qual o teu nome e
nem com que te alegras
Só sei que vives inquieto,
e choras quando estás só
Sei também que apesar da tua dor,
não tens vergonha de rir
de errantes como tu em situação pior
Meu amigo, de muitas conversas e pouca verdade,
eu não sei por que ardes e nem até onde toleras
Mas eu sei que esperas, quando entra a noite,
que uma mão te afague,
que um sim te recupere.
Não sei para quê falo,
para quem dirijo minha palavra vazia.
Mas sei que tu, somente tu, me ouves
E sei que isso alivia a tua agonia.
Pelo menos pensar assim alivia a minha
E te oferecer a minha palavra a torna menos vazia.
segunda-feira, 9 de julho de 2007

Esta foi uma das primeiras poesias que escrevi. Foi há alguns bons aninhos, mas ainda faz algum sentido
Escondo-me nas areias desertas
Meu refúgio sereno da solidão
Foi do medo do dragão do castelo
que me perdi no mar morto da confusão
Chamas
Tramas
Susto
Fuga
Corro de susto, de medo do bicho
Um monstro verde, enorme e comilão
Pra onde fugir, onde me esconder?
Onde fica o coração do dragão?
Prédios que se desmoronam
Guerras que enterram um milhão
Carros, bandidos, fantasmas
Nada é pior que o dragão
Morram três mil de esquerda
Caiam duzentos à minha direita
Fico tranqüila e nem vejo
Mas se me ponho a pensar no dragão
Xiiiiii já quase desmaio de medo
Estranho
Me zango
Não entendo
Me rendo!
Foi do medo desse dragão
Que tanto chorei, nunca o entendi
Não te encontro, ó dragão chefe do mundo
Que se decide realiza, só por existir!
Ai, dragão tão escuro!
Que tanto susto me deu
Ah, se desde o início eu já soubesse
Que esse enorme dragão... sou só eu.
domingo, 24 de junho de 2007

Aqui, neste cubículo espremido de cidade,
Vejo minha criatividade
Reduzida a gotículas de poeira.
Essa enganosa luminosidade,
O encosto torto da cadeira.
Minha vida imprensada em grades,
Meu espetáculo estragando na geladeira.
As horas se arrastando inertes e amorais.
E de notícia do mundo,
Só a escravidão dos jornais.
Um fiasco de sentido passando pelo corpo.
O ar preso, quase um sufoco.
E o cheiro de papel frio, congelado.
O arrastar de cada momento suado
O isolado mundo ativo de cada um.
Uma rígida expressão contida,
Sedenta por um pouco de vulgaridade.
É o anseio diário por alguma novidade.
Moleca executiva, perdida,
Num escritório do centro da cidade.
terça-feira, 12 de junho de 2007
Curtinha
Passar de um estágio
sentada na ponte
Eu bebo um bocado,
me perco no limite
Sinto o bafo quente da certeza
Ouço as sirenes do medo
longe, perdidas,
indefesas contra o meu movimento.
Tento sem sucesso voltar a ser presa
Minha alma voou
Meu pesar é leveza
Gatilhos engatinham,
fazem graça do tormento
Eu sigo a direção do vento
Eu passo,
enquanto todos repassam
Eu vôo,
por cima de todos que avoam
Eu canto,
e todos mortos nos cantos
Menina velha
Sentada na vida
Eu sei onde há brisa
e fujo desses locais.
Meu tiro é o atirar
e o certo não me acerta.
E viva a reta do torto
e viva o toco da meta!
domingo, 3 de junho de 2007
Revolta

Viva a modernidade!
Viva a moderna, a falta de idade!
Viva a baderna e a mediocridade!
Passa ônibus, passa trem, pára-raio
Corre homem, pula mulher, pára-brisa
Cadê o sol? Roubaram o céu
Cata olho, procura mulher, cata-vento
De onde saiu tanto movimento?
Venho de dentro desse corredor ártico
Que andam chamando de mundo
Mundo deserto, árido, ácido
Beira a loucura, beira a histeria, Beira o Mar
E a quem se atribui poder julgar?
Modernidade... não há julgamento!
Todo mundo reto, enfileirado no tormento
Pecam tudo, pica juízo, pica a mula
Pecador tem verdade que é só sua
E deve pecar.. porque a verdade é técnica
É lapidada, demarcada, lápide verdade
Que se esconde na ciência do número
Onde vai se esconder o futuro?
Se ninguém parece que fica ou passa
Nosso destino virou uma grande farsa
A justiça fica só na Barsa, na garsa, na desgraça
Tampa a mente, tampa a boca, trampolim
Na roda gigante , a gangorra não tem vez!
Continuemos vivendo no talvez
E viva a modernidade! Não tema, não canse, não corra!
Unidos no canto do viva
Viva a modernidade...
Modernidade, morra!