domingo, 4 de novembro de 2007

Andar de hoje...

Foto by Cris. Poesia bem antiga, mas me senti assim hoje.. Beijos para todos que comentam e para os que não comentam tb.. aliás, beijos tb para os que nem visitam o blog e para os visitantes! rs

Simples

Ando pela rua
Vejo um pássaro
Tão passarinho
Penso na vida
Árvore da folha verde
Tão singela verdinha
Tiro meus óculos
Sento na terra
Piso na pedra
Só dureza, nova vida de dureza
Penso nessa pura destreza
Firme, forte, segura
Passa frio, passa chuva, passa fissura
E continua com sua força de apoio


Vejo o trigo de sol amarelo
Tão quentinho
E a moça dos olhos de névoa
Que sobrevoam essa selva
Que virou o mundo dos homens
Seguro com força o chão
Esse fixo que me dá proteção
Mas tão mais leve é flutuar
E voar por essa rua
Sentir cada simples perfume
Do mar, da brisa, da lua
Tão nua, também tão minha


Ah, se eu visse sempre esse mundo
com outros olhos!
Olhos de chama
Sem a areia, que embaça a clareza
de ver no simples
o sentido da maior grandeza
Para ver tudo mais claro
Não pode existir o bizarro
Só se pode aceitar que há
Essa engenhosa máquina
Perfeitamente perfeição
Andar pela rua de verdade
É sentir a trivial realidade
Andar marcando as pegadas
Seguir com a alma na mão
Sem medo de pisar em farpa
Cada poro do corpo expirando sensação


Esse andar foi meu hoje pela rua
Quem me dera fosse o andar diário
Do universo restrito
da minha complexa criatura

domingo, 7 de outubro de 2007

Aeroporto


Achei um papelzinho ontem com isso escrito... rabisquei enquanto estava num aeroporto esperando o avião, há umas 3 semanas.. O lindo registro da fênix levantando vôo é do meu amigo Difre!


Levantar vôo
saber o tamanho das asas
conhecer o volume do ar
Quero cansar de ceder ao comum
Quero me perder em partir
e voar

O caos da cidade,
o vício de amar...
Prefiro ser solta no vento
Ficar bem escrita,
salva em prosa e verso
Liberta no tempo

Sou diário ou espelho,
forte estrutura de argila
o meu cantar contamina!
A minha asa gira
Meu cérebro é vermelho

Um convite para o vôo,
um carinho de descida
Eu sorrio da janela
o olhar acena pra vida

Adeus, mundo pequeno dos homens
Adeus, estrada estreita sem decolagem
Vou partir para um mundo mais certo
vou para o meu universo de viagem

É em mim que o tempo aterrissa certezas
Para mim meu avião segue sem pressa
Não me segure se não for para partir
Não me convide a não ser para a beleza


quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Alvo


Barulho, pra quê barulho?
Só no silêncio se conhecem as almas
Ofuscante, confusão de luzes
É tanta falta de se apagar...

No abandono do irradiar
se constitui o pensamento

Tanta confusão de braços
Um enroscar vazio de pernas
Pra quê tanta urgência no agir?

O maior pulo é sem movimento

Um dia calmo, a voz morna
Sereno, vazio....
Melodioso hino da paz
De dentro um lugar

Ou será? Ou sempre só será?

A cabeça agita
A visão se compele
Mas o medo é de argila
A prática é “são” desafio

Atirar é nunca ser seu alvo
O melhor alvo é apenas mirar

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Essa poesia é antiga, escrevi há 3 anos. Não tem titulo..

Por que nada é imutável?
Nem estático, impermeável
Vivemos num mundo de ciclos
Mas não sei em qual fico,
nenhum deles me parece estável

Atiro no escuro, me sinto atingida
Persigo o futuro, sou eu a perseguida
Amaldiçoo a finitude dos momentos,
hiptnotisada por este descontento.
É o fim do começo que me maltrata.

Só eu sou atacada
pelas flechas do meu eu arqueiro
Foi em mim que mirei primeiro
e agora choro pela dor da ferida
Sinto-me perdida no labirinto que criei,
inventei os caminhos, mas não sei a saída
Cavei o infinito, e agora me cansei

Propus um jogo e não sei a jogada certa
Apostei numa estratégia e não conheço a meta
Subo e desço, corro e morro, rio e padeço
Quero adquirir, mas não sei o preço
Caro demais para pagar, longe demais para alcançar
Tento segurar, não aguento o peso
Na verdade não sei nem se o conheço

Quais as palavras para o que não sei dizer?
Quais os motivos para o que não sei se quero fazer?
Abro um cofre, não sei o que procuro
e eu continuo tateando no escuro

Peco pelo excesso,
brigo pelo perigo
E na verdade não sei por que clamo
Não sei por que pulso, por que me julgo
Onde fica minha lei?
Me desespero porque não sei
E se eu dia eu souber
talvez não saiba pra que é.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O Pantanal é agora

O que é o tempo?
Conflitos sociais medidos num relógio
Sorrisos convencionados
num aparelho com bateria
Acabou o momento,
passou da hora a alegria
Essa algema viciante no pulso,
que agora vibra cronometrado
Lembrar, controlar, comparecer
Cada sentido rigorosamente marcado

Os jornais denunciam assassinatos,
novas guerras, conflitos, psicoses
As manchetes falam de novas micoses
doenças, pragas, epidemias
Estranho, mas continuo sadia
E vivo, ando pela rua, tudo normal


Tantas vozes de hora marcada adoecem expectativas
criam flagelos sem sonho, falsas desritmias
E às vezes me perco divagando sobre o nada
Minutos perdidos em lamúrias criadas
Medos, preocupações,
nada real...
Tantas horas....
me renderiam uma boa viagem ao Pantanal

domingo, 26 de agosto de 2007

Atualizando

Andou meio parado, mas estou de volta! Acabei de escrever esses versinhos aqui, quando pensava em "pra que atualizar o blog?".. aí vai a minha resposta, curta e singela..rs

Meu amigo, a quem dirijo este rascunho,
não sei qual o teu nome e
nem com que te alegras
Só sei que vives inquieto,
e choras quando estás só
Sei também que apesar da tua dor,
não tens vergonha de rir
de errantes como tu em situação pior
Meu amigo, de muitas conversas e pouca verdade,
eu não sei por que ardes e nem até onde toleras
Mas eu sei que esperas, quando entra a noite,
que uma mão te afague,
que um sim te recupere.
Não sei para quê falo,
para quem dirijo minha palavra vazia.
Mas sei que tu, somente tu, me ouves
E sei que isso alivia a tua agonia.
Pelo menos pensar assim alivia a minha
E te oferecer a minha palavra a torna menos vazia.

segunda-feira, 9 de julho de 2007


Esta foi uma das primeiras poesias que escrevi. Foi há alguns bons aninhos, mas ainda faz algum sentido

Escondo-me nas areias desertas
Meu refúgio sereno da solidão
Foi do medo do dragão do castelo
que me perdi no mar morto da confusão

Chamas
Tramas
Susto
Fuga

Corro de susto, de medo do bicho
Um monstro verde, enorme e comilão
Pra onde fugir, onde me esconder?
Onde fica o coração do dragão?

Prédios que se desmoronam
Guerras que enterram um milhão
Carros, bandidos, fantasmas
Nada é pior que o dragão

Morram três mil de esquerda
Caiam duzentos à minha direita
Fico tranqüila e nem vejo
Mas se me ponho a pensar no dragão
Xiiiiii já quase desmaio de medo

Estranho
Me zango
Não entendo
Me rendo!

Foi do medo desse dragão
Que tanto chorei, nunca o entendi
Não te encontro, ó dragão chefe do mundo
Que se decide realiza, só por existir!

Ai, dragão tão escuro!
Que tanto susto me deu
Ah, se desde o início eu já soubesse
Que esse enorme dragão... sou só eu.