sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Formiguinha



Me sinto tão pequeninha

uma formiga diante de um banquete enorme

com fome de vida, sedenta mas perdida

Não sabe onde estão os seus, se perdeu

não entende qual é o caminho, sozinha




Não vire o rosto para esse bichinho,

não a deixe tão fraca, ali parada

que o inseto carente faz beicinho

"preciso demais ser amada"




Tão pobre, pequena formiga é meio boba, há quem diga

se finge de abelha quando vê mel

se faz de marimbondo do lado de gente

ela só quer ir na frente...



Pássaro frustrado, da alma gigante,

não deixe essa formiga pensar que é elefante

senão ela cresce mais que o mundo

e pensa que o resto todo é ainda mais morimbundo

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Sobre o amor


Você faz planos de ser popular
do tipo que lidera galeras, posa pra foto.
Um dia ele chega de um jeito maroto
e ao invés de ir à festa, vai com ele pro bar

Chegando lá, começa a conversa, com aperitivo
Você vê que ele não é diplomata, poliglota nem tão bonito,
mas tem umas covinhas do lado direito
e faz você sentir um arrepio quando ri sem jeito
que te deixa até meio sem graça, com a pose no chão

Você planeja ser do tipo viajante, independente
com certeza vai morar fora, ter o carro da moda,
quem sabe (por que não?) ser até presidente?
Com certeza namoro sério só depois dos trinta anos,
senão não vai dar tempo de concretizar tantos planos!

Filhos, claro, você quer, lá pelos quarenta
Às vezes você quer fazer tanta coisa que não aguenta
Fica nervosa, aflita, querendo abocanhar o mundo
Parece que nào encontra sentido, explicações a fundo

Ele pega a sua mão, te dá um beijo na saída do carro
e você entra de volta em casa com o coração num disparo
Sonha em de novo poder logo encontrá-lo
até que ele liga, marcando para o dia seguinte

Depois da noite de espera, vocês vão a um restaurante
Você dá para ele um enfeite de mesa de presente
Um risinho ali, você acha ele tào engraçado
Presta atençào no que diz, para tudo tem um comentário
E de repente você já se vê casada, pluma, gestante
Para que tudo ficou explicado, lindo, você sente

É claro que você ainda tem muitos sonhos,
que com certeza pretende realizar
Pode ser que você viaje, que flutue, que cresça
Pode ser que venham os amigos ou que desapareçam
Mas fica aquela covinha boba sempre como resposta

Porque o mundo é realmente o máximo,
mas agora é da covinha que você mais gosta!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sobre ontem

E parece não ter sentido,
mas deve ter,
andar por aqui perdido...
Parece que tenho conseguido.

Eu tenho te visto
colado junto a mim
no meu corpo, no meu coração
tenho te sentido.
Não me escapula
que tenho medo de escorregar
e não me manter adulta.

Eu tenho paixão pela minha criança de alma,
regrido para quando não tinha sossego.
Chegando lá lembro que é horrível sentir medo,
"é preciso se acostumar com a calma".

Que receio eu tenho do estável
que vontade de estragar tudo!
O bom é que meu desejo muda
quando volto os lábios para dentro...
É aí então que eu entendo

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O outro lado da saudade...

Todos os dias da minha vida
eu sinto saudade
penso no que poderia ter sido
se ex-amores não tivessem morrido

Não sei se é descontentamento eterno
ou se é culpa do peso da idade
mas sei que lamento tudo já ter ido
e queria que voltassem à verdade

Sinto falta do que não ousei fazer
idealizo o que antes tinha
mas se revivessem não mais haveria
amor que coubesse em meu novo peito

Acontece que hoje sou ser refeito
agora outras saudades eu amaria
Hoje o que era lindo seria imperfeito
e o que quero antes não queria

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Isso podia ser mais uma semana de setembro

Pés quebrados

Parado, imóvel, estático,
alguns dias sem se distrair de mim.
Meus pés estão quebrados.

Nao dá para beber, fumar, beijar...
Nao dá para se despedir, fugir, desatinar.
Um minuto de intervalo, uma trégua, um abalo
e de repente sou só eu comigo mesmo
sem disfarces, falso acaso ou desespero.
Só espera, paciência, tolerância
com o que é meu, só meu, desde criança.

O sono, o estar, o pensar a existência,
um intervalo de reflexão sobre a descrença,
um corte violento na rotina entorpecente,
um parar do nosso viver maquinário crescente.

Estou apenas aqui, sem coleguismo, sem corrida,
sento em paz e solitário diante da vida
e aguento esse turbilhão que são nossos desejos.
Aguento ter medo de não atingir o que outros esperam,
aguento ser eu mesmo e não o que me impuseram.
Não temo sentir seja lá o que se sente,
não tenho mais vergonha de parecer ser gente.

Sinto demais e penso às vezes negativo
mas sou forte e fiel escudeiro do estar comigo.
Percebo a solidão como produtivo momento

Isso podia ser mais uma semana de setembro
mas é mais um dos meus mais bonitos recomeços!
Os pés estão quebrados, mas asas são de vento
e contra o vento não há queda, só eterno movimento.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Portas

Se um dia alguém te perguntar sobre mim,
explica sorrindo que não nasci assim.
Fui fruto mordido, só por fora
e conservo ainda caroço oco (e louco)
onde guardo o infinito da minha história.

No traço do meu gingado,
tem um homem mal-sonhado.
Eu idealizo, e insisto,
mas no fundo não sou as convenções que visto.

Eu não cobro da multidão que me tire essa ciência
porque a multidão - em festa ou em luto - não pensa.
É um arquipélago completamente dividido
no qual o dormir de cada um é um rito,
uma passagem para um outro isolamento.

Eu me movimento.
E na cadência dos corpos que se fundem ao meu,
eu quero descontrolar o que é meu e teu.
Quero um amar livre para que se enterre o pecado.
Na lei da minha terra,
só os falsos fazem algo errado.

E ver, sentir, se deixar levar,
sem se prender à memória
porque tudo é construção irrisória.
Tudo é caretice profana
quando se espera mais da mente humana.

Sem as noções mesquinhas de espaço e tempo,
mas em êxtase por cada detalhe, de todo momento.

Se alguém te perguntar sobre mim,
responda que não menti.
Mas pensei tempo demais sobre o pensar terceiro
e perdi meus dias com o viver alheio.

Até hoje.
Vivi uma busca,
mas encontrei meu centro.
Vejo agora o raiar solitário do amanhecer para dentro.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

No domingo...

Roupas jogadas na sala
Um copo de vodka ainda pela metade
A cama desarrumada agora em silêncio,
entortada e sem lençol,
retrato da vontade

A pia resolveu entupir bem naquela noite
Mas ficou lá cheia, deixa pra depois
Um pedaço de pizza ainda no forno
não vai saciar a fome por nós dois

Um filme na cabeça, com personagens reais
Não tão reais quanto se imagina...
Uma calcinha no tanque, meio menina,
vai ser levada, deixando o desejo pra trás

Os cigarros queimados no cinzeiro
ainda se encontram, ainda têm certeza
A janela aberta solta o perfume
do que foi o jogo de conquista naquela mesa

E a semana começa de novo
Visto a gravata, meu terno xadrez
Quando será que terei nova lembrança
da minha vida revirada, da casa desarrumada,
da vontade de estar vivo, de vez...